domingo, 10 de junho de 2012

O aluno perfeito


Achei esse artigo do site vestibulandia, que faz uma reflexão sobre o que é o aluno perfeito, e trás algumas dicas importantes para passar no vestibular.

Antes de mais nada, é bom deixarmos claro que não existe (obviamente) o aluno perfeito. Existe uma diversidade tão grande de parâmetros e qualidades pelos quais podemos ser avaliados que é inviável que nos tornemos virtuosos em todos eles. Bem, então qual o propósito deste artigo?
Justamente apresentar as qualidades que são desejáveis em qualquer vestibulando e naturalmente acabar com alguns mitos.

 Inteligência: Aqui começamos nosso primeiro mito, afinal dizem que  "apenas quem é inteligente consegue entrar numa faculdade de renome". Bobagem... A inteligência nada mais é que uma qualidade que é influenciada diretamente por uma série de fatores tais como capacidade de abstração, compreensão, discernimento e até mesmo elementos genéticos.  Grosso modo, avalia-se a inteligência do indivíduo através da sua capacidade de lidar com os problemas e com as respostas a estes mesmos problemas.
Vamos imaginar então nosso "aluno perfeito" com uma inteligência impecável, mas um indivíduo que desconheça completamente os processos e regras de um desafio, por exemplo, um jogo de xadrez. Será que nosso aluno conseguiria ganhar (ou mesmo jogar) uma partida sem nem mesmo ter visto esse jogo na vida? Naturalmente não. Assim , concluimos que apesar da inteligência ser muito importante, ela não é garantia de sucesso. Ao nosso aluno faltou algo importantíssimo, tão essencial quanto a própria inteligência: o conhecimento.

Conhecimento: Uma conceito bem definido através de uma expressão simples: "bagagem cultural". Quanto mais você lê, escreve, aprende e interage com o mundo, maior se torna o conhecimento adquirido. E como maximizar esse conhecimento? Naturalmente, aumentando as formas de interação com os mecanismos de aprendizado. Especificamente, no caso dos vestibulandos, é verdade que muitos se limitam a assistir às aulas sem fazer nenhuma leitura ou exercícios posteriores. Isso é totalmente errado!!! Após uma aula (processo extremamente dinâmico)  muitas vezes ficamos com a agradável (e falsa) idéia de que todo o conceito foi assimilado e que estamos dominando o assunto (cuidado, aprender nâo é a mesma coisa que fixar!). Na semana seguinte, a maior parte do aprendizado foi "pelo ralo abaixo" e aquela "matéria babinha" se torna uma verdadeira "pedra no sapato". Como evitar isso e assegurar uma assimilação de qualidade?
  • Siga a máxima: "Aula dada, aula estudada, preferencialmente no mesmo dia ou (na pior das hipóteses) no dia seguinte"
  • Se possível siga outra máxima ainda melhor "Aula dada, aula estudada e revisada"
  • Comece a rever suas anotações de aula (o quê??? Você não faz anotações de aula???). Faça depois uma leitura mais aprofundada da teoria diretamente no livro/apostila e, se possível, (principalmente nas matérias de Humanas e Biológicas), Faça leituras complementares. Isso é essencial para desenvolver o senso crítico e ler aquela "nota de rodapé" que pode garantir aquele "pontinho matador" na hora da prova.
  • Aumentar o conhecimento é um processo longo e contínuo, da mesma forma que usar aparelho nos dentes. Não se estresse."Devagar e sempre" é melhor do que "acelerado e nunca mais"
Vamos imaginar agora nosso "aluno perfeito" com inteligência e conhecimento impecáveis. Será que agora basta? Vamos ver...
Vamos supor que ele tenha conseguido fazer algumas questôes de matemática (felizmente ele sabia fazer todas!), mas que durante os cálculos ele tenha cometido "pequenos" errinhos como 1 + 2 = 4, ou que, em uma pergunta de História, a questão pedia a alternativa incorreta e ele marcou a correta, e outros "acidentes" do tipo tenham acontecido. Que pena! Nosso aluno perfeito foi reprovado novamente.Mas ele era tão inteligente e culto... Faltou um elemento: Precisão!

Precisão: Vamos imaginar um alvo e o centro desse alvo (chamado mosca). Quanto mais perto da mosca você chega, mais preciso você é. Já atirou dardos em um alvo? Não?? Vamos explicar como funciona:  A primeira vez que você joga é uma lástima. Você acerta a parede, as portas (às vezes o próprio pé), tudo, menos o alvo. Na segunda vez você consegue (por milagre) acertar o alvo. Gradativamente, quanto mais você treina mais próximo da mosca você chega e mais preciso você se torna. É exatamente aí onde queremos chegar (sem trocadilhos!).

Aumentar a precisão nos vestibulares é como atirar dardos: a prática está diretamente ligada à perfeição. Muitas vezes, vemos alunos esnobando questões fáceis, partindo direto para as difíceis e achando que apenas isso basta para garantir o sucesso na prova. Ledo engano. Sabe aquela questão fácil, aparentemente "desprezível"? Ou aquela questão cheia de contas que você se nega a fazer no papel ?(que bom que existem calculadoras científicas,  né?) pois é. Um erro que pode custar muito caro depois.
Fazer uma quantidade razoável de questões ajuda o aluno a minimizar falhas comuns de cálculo (convenhamos: perder aquela questão dificílima de Química - que você sabia resolver!  - por causa de uma continha de multiplicar? Ninguém merece...)

Há também um ganho natural de agilidade, afinal tudo começa a ficar muito trivial. 
Nosso aluno perfeito agora  "dá um show" em inteligência, conhecimento e precisão. E naturalmente foi fazer mais uma prova de vestibular numa conceituadíssima universidade. A primeira questão da prova (de Física) era um verdadeiro desafio. Ele bateu o olho e sacou um método complicadíssimo e trabalhoso de se chegar na resposta. Ficou duas horas na questão, conferiu todos os cálculos (em 5 páginas!). Ele havia acertado a questão (foi um dos únicos!) mas , infelizmente , só deu tempo de acertar aquela. Precisamos falar agora de outro elemento: Eficiência.

Eficiência: Vamos comparar com outro conceito, eficácia. Há uma história (mentirosa, mas interessante) falando sobre a corrida espacial dos americanos contra os russos. Os americanos iriam precisar de uma caneta para fazer anotações e registros no espaço que, pela falta de gravidade, simplesmente não iria funcionar. Daí, eles investiram milhões de dólares e construíram uma caneta com um êmbolo especial que empurraria a tinta em direção à ponta permitindo a escrita. Enquanto isso, os russos usavam um lápis!
Mitos à parte, se a história fosse verdadeira, nós diríamos que os americanos foram eficientes (mas não foram eficazes), afinal o foco deles era no problema e não na solução. Já os russos foram eficazes afinal solucionaram o problema que tinham de uma maneira prática, rápida e barata (o foco foi na solução, e não no problema). Vendo por um exemplo prático, imagine a questão:

(x-2)(x-3)=0

Sem maiores explicações, há duas maneiras de resolver:

Primeira maneira (eficiente): Faz a distributiva, você cai numa equação de segundo grau. Dai você usa a fórmula de Bhaskara ( a mais famosa da oitava série, aquela formulinha maior que um trem) e após tanto trabalho vc chega finalmente na solução: x=2 ou x=3. Cinco minutos depois, marca a alternativa e acerta. Parabéns.

Segunda maneira (eficaz): Você nota que há um produto igual a zero, o que te leva à mesma solução anterior em dois segundos. Você praticamente ganhou 5 minutos. PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Há um outro caso que é o abandono inteligente: Se uma questão vai ser demorada, deixe-a para o final da prova e "fature" nas fáceis e médias. Eventualmente, É melhor perder UMA questão do que perder a prova inteira. Seja Eficaz!
Nosso aluno perfeito agora já é inteligente, culto, preciso e eficaz (agora ele está também com uma "raiva perfeita" da gente, mas isso não vem ao caso!), e cai numa questão cheia de cálculos de Química. Ele faz metade da prova , naturalmente do jeito mais fácil, acerta todas (até agora) só que ele perde um tempo enorme e precioso conferindo e reconferindo todas as contas. Novamente acabou o tempo da prova, e vamos discutir mais um elemento pertinente: Segurança!

Segurança: Vamos começar pelo seu oposto, a insegurança: sua origem tem três elementos: a "sindrome da calculadora", "síndrome do gabarito" e o fator emocional. Vamos chamar de "sindrome da calculadora" aquela insegurança natural do vestibulando que, em pleno ano de preparo, usa indiscriminadamente a máquina, inclusive para as contas mais simples. Quando ele encarar uma prova de verdade, vai naturalmente ficar inseguro, muitas vezes descobrindo coisas nada agradáveis (como é que eu faço divisão com decimais mesmo?). Deixamos claro: lugar de calculadora de vestibulando é na gaveta. ou vestibulando usa apenas quatro ferramentas para cálculo: cérebro mão e caneta e papel.

A "síndrome do gabarito" é ainda pior e existe em vários graus. O aluno vai fazer uma questão e antes de concluí-la (ou sequer começá-la) dá uma olhadinha na resposta pra "saber se ele vai fazer certo". Existem outros que vão fazer questões de Geografia, por exemplo, e pelo fato de não ter utilizado o termo "lençóis freáticos " (que estava no gabarito!!!)ele já  pensa que errou a questão. Não é assim!

Gabarito serve para conferir a questão e não influenciar a sua resposta para um caminho que muitas vezes você não iria seguir numa prova. A dica é a seguinte: se, durante os estudos,  você tem 20 questões para fazer, faça as vinte e só APÓS TERMINÁ-LAS confira o gabarito. O fato de muitas vezes a questão estar com a resposta no gabarito  mais bem redigida que a sua não significa que a sua resposta está errada. Na dúvida, leve ao professor a sua versão.

A "síndrome da calculadora" e a "síndrome do gabarito" levam a uma angustiante ansiedade durante a prova. e nada pior do que fazer uma prova estando psicologicamente abalado. Evitando esses dois comportamentos você vai ter uma leve (e passageira!) insegurança natural durante a prova que logo vai se extinguir quando você perceber que está dominando a prova, e não o contrário.

Também ligado à segurança é o processo natural de abandono. Se você não sabe uma questão, "desencane". O que importa não é acertar tudo   mas sim fazer o melhor para garantir a vaga!
Nosso amigo "aluno perfeito" agora já é inteligente, culto, preciso, eficiente e seguro. E (olhem só!), ele conseguiu ser o primeiro lugar daquela universidade conceituadíssima! Seu problema agora é enfrentar o assédio de suas novas fãs, mas isso já é outra história...


Um comentário:

  1. Achei o máximo o texto do aluno perfeito, sou aluna do eja, quando li o titulo, logo pensei, jamais chegarei nesse patamar, mas lendo o texto, pude concluir, que não existe o aluno perfeito, pois tudo depende de nosso bom desejo de vencer, pois a verdade é que somos seres únicos, diferente de todos.
    Parabens!

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