segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Mais de 90% concluem ensino médio sem aprendizado adequado de matemática

o Brasil, mais de 90% dos estudantes terminaram o ensino médio em 2013 sem o aprendizado adequado em matemática, segundo o movimento Todos pela Educação. Tomando por base avaliações do MEC (Ministério da Educação), o movimento concluiu que apenas 9,3% desses estudantes aprenderam o conteúdo considerado adequado para o período. O índice é menor que o anterior, registrado em 2011, quando 10,3% aprenderam o considerado adequado pelo movimento.
Além de matemática, o aprendizado em português também apresentou queda, na avaliação feita no terceiro ano do ensino médio, de 2011 para 2013. O percentual de alunos com aprendizado adequado passou de 29,2% para 27,2%. "É o terceiro ano consecutivo em que cai o aprendizado em matemática e agora caiu também em português. É um grito de socorro. O ensino médio está piorando no Brasil", avalia a diretora executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.
O Brasil não tem, oficialmente, metas claras do que deve ser aprendido em cada nível de ensino. O movimento Todos pela Educação estabelece metas para que em 2022, ano do bicentenário da independência do país, seja garantido a todas as crianças e jovens o direito à educação de qualidade. O movimento estabelece também metas intermediárias de aprendizado.
Priscila ressalta que o aprendizado considerado adequado não corresponde a um nível avançado de domínio da disciplina, mas apenas do básico. "Em matemática, são 90% não aprendendo esse básico. Pode parecer exagero, mas de certa forma não é. Estamos negando um futuro digno para eles, que não conseguem ter acesso ao básico da matemática, não conseguem avaliar um contrato de aluguel ou projetar o que pagam de juros em uma prestação. É o básico para viver a vida".
Os dados mostram que no ensino fundamental o 5º ano foi a única etapa que apresentou melhora. Passou de 40% de alunos com aprendizado adequado em português, em 2011, para 45,1% na última avaliação, e de 36,3% em matemática, para 39,5%. No 9º ano, o percentual de alunos com aprendizado adequado em 2013 foi 28,7% em português, acima do verificado em 2011 (27%). Em matemática, o indicador apresentou queda, de 16,9% para 16,4%.
Pelos critérios do movimento, nacionalmente o país não cumpriu nenhuma das metas intermediárias, nem mesmo no 5º ano. No 9º ano e no ensino médio, o Brasil não cumpriu nenhuma das metas nem mesmo em nível estadual.

Prova Brasil e Saeb 

Os números são baseados no resultado da Prova Brasil e do Saeb (Sistema de Avaliação Básica), aplicados em 2013. Na opinião de Priscilla, os dados mostram que nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, o modelo de ensino adotado pelo país mostra resultados e merece mais investimento, mesmo que a meta não tenha sido cumprida. Isso não ocorre com os modelos adotados nos anos finais, do 6º ao 9º ano, e no ensino médio. "É como nadar e morrer na praia. De que adianta melhorar o fundamental 1 e chegar ao fundamental 2 e médio e o aluno não aprender?", pergunta.
Uma das diferenças, segundo ela, é que até o 5º ano, o ensino é mais focado e não há tantas disciplinas quanto até o 9º ano e o ensino médio. Ela defende uma reforma de métodos de ensino, que inclua as novas tecnologias, a internet, e também uma revisão do currículo, do que é ensinado em sala de aula. "O currículo é inchado, disperso, tem a ganância de fazer com que o aluno aprenda tudo, enquanto, na verdade, ele não aprende nada".
A Prova Brasil é um dos componentes do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), considerado um importante indicador de qualidade do ensino. O índice vai até dez e é calculado de dois em dois anos. O Ideb de 2013 foi divulgado pelo governo no início do mês. A meta estimada de 4,9 para anos iniciais foi a única cumprida pelo país, que obteve índice de 5,2. O Saeb é feito por amostragem nas redes de ensino e tem foco na gestão dos sistemas educacionais.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/12/23/mais-de-90-concluem-ensino-medio-sem-aprendizado-adequado-de-matematica.htm

Modelo matemático cria “rotas inteligentes” para o transporte público paulistano

Trânsito em São Paulo ganha estudo com rotas mais inteligentes (Foto: Reprodução)

Nova pesquisa da USP acredita que para tornar o transporte coletivo mais atrativo que o carro, não basta renovar frota, alterar o sistema viário e diminuir o preço da tarifa. É preciso também reorganizar as rotas das linhas de ônibus para encurtar o tempo das viagens e diminuir o número de baldeações - uma equação cuja solução exige modelos matemáticos complexos.
O engenheiro Renato Oliveira Arbex conseguiu desenvolver um modelo matemático com o melhor custo-benefício já alcançado. Aplicado em uma rede de transporte que interliga 15 cidades Suíças, o modelo possibilitou definir uma rota na qual 99,29% dos usuários poderiam se locomover com apenas uma viagem. O tempo médio das viagens obtido também foi menor: 10,48 minutos ante uma taxa alcançada de 10,7 a 13,1 minutos por outros modelos.

Embora tenha praticamente eliminado o número de baldeações na rota pesquisada, Arbex também conseguiu reduzir em 15% o número de ônibus necessários. Ou seja, o modelo possibilitou tanto otimizar a locomoção como diminuir os custos das transportadoras de ônibus. Em última instância, teria potencial para melhorar o trânsito com a retirada de parte dos ônibus das ruas.

O orientador da pesquisa, o professor Claudio Barbieri, do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR) da Poli, ressalta a importância deste resultado ao avaliar o problema do transporte urbano. "O usuário quer o melhor sistema, com mais linhas e maior frequência, mas isso costuma ser proibitivo em termos de custos por conta do maior número de veículos alocados para a frota", lembra. "A pesquisa consegue resolver dois problemas conflitantes: de um lado, atender às necessidades dos usuários do transporte público; de outro, ajudar as transportadoras na redução de seus custos."
Medidas como a faixa de ônibus têm tornado o transporte algo mais agradável (Foto: Reprodução)

Com base em uma série de informações, escolheu as linhas de ônibus de interligação dos municípios, priorizando aquelas com tempo de viagem mais próximas do carro. Os dados foram carregados para um software que analisou os dados usando um algoritmo genético - modelo matemático utilizado para lidar com situações complexas, nas quais muitas variáveis precisam ser combinadas.

Seu desafio foi aprimorar a metodologia com esse algoritmo para otimizar o cálculo e a comparação entre as diversas soluções, de forma a superar os resultados já descritos por outros pesquisadores em trabalhos científicos. Arbex obteve 12 diferentes opções de redes. A mais eficiente utilizaria 76 ônibus em 14 linhas para atender a população.
Conversamos com o engenheiro
Para saber mais sobre o tema, a GALILEU conversou com o engenheiro Renato Arbex. Ele refletiu sobre as medidas de transporte público adotadas pela prefeitura de São Paulo, conversou sobre a relação entre metrô e ônibus e ainda deu mais detalhes sobre a aplicação de seu modelo matemático. Confira!

GALILEU: Como você vê as medidas tomadas pela gestão do Prefeito Fernando Haddad na área do transporte público?

Renato: Vejo com bons olhos, pois as medidas de incentivo ao transporte público e não motorizado adotadas pela Prefeitura estão auxiliando na melhoria da mobilidade urbana de forma geral. As faixas exclusivas, como mostram algumas pesquisas recentes, diminuíram o tempo de viagem de milhares de pessoas; as novas modalidades temporais do bilhete único (mensal e semanal) possibilitam um uso mais intensivo e flexível do sistema, sem maiores prejuízos financeiros; e as ciclofaixas viabilizam um transporte mais sustentável e seguro para trajetos mais curtos.

G: Essas soluções estão entrando em fase de testes? Já foi feito algum acordo com a Prefeitura?

R: A escala do problema em São Paulo torna a aplicação imediata do modelo matemático mais complexa. Continuo o desenvolvimento do algoritmo para incluir questões relevantes de grandes metrópoles como a existência de uma rede de metrô e terminais já existentes. Quanto a um acordo com a Prefeitura, estou aplicando informalmente o modelo para analisar a rede das linhas de ônibus que operam na madrugada, de modo a otimizar os trajetos, reduzindo as transferências necessárias e os tempos de espera e viagem dos usuários. É uma aplicação teste para validar o desempenho do modelo ao comparar com a solução adotada atualmente, porém sem vistas de efetivas, por enquanto.

G: Você acredita que existe uma supervalorização das medidas metroviárias em relação às de ônibus? Isso tem prejudicado a forma de se pensar o transporte público da cidade?

R: De certa forma, acredito que existe sim. Às vezes, o metrô é colocado como a solução dos problemas de mobilidade. Entretanto, é uma estrutura de transporte muito onerosa e de construção bastante demorada, que leva até dez anos para conclusão de uma linha. E essa linha em si cria poucas ligações diretas, pois são necessárias muitas transferências cansativas, tanto entre linhas como entre os ônibus e o metrô. Além disso, o nível de conforto do serviço nos horários de pico é muito reduzido, chegando a mais de dez pessoas por metro quadrado (linha 3 vermelha, por exemplo). Como o conforto é um dos fatores para escolha entre o modo de transporte pelo usuário, muitas pessoas preferem usar o carro em seus deslocamentos diários, embora morem próximas às estações.

Já o ônibus é um serviço de fácil implementação e bem versátil, podendo ser adaptado em função da demanda real dos usuários, possibilitando reduzir as penosas transferências. Além disso, o próprio conforto do serviço pode ser aumentado através da melhoria do próprio veículo. Em Hong Kong, por exemplo, onde 90% das viagens são feitas de transporte público, uma frota de mais de cinco mil veículos double-decker carregam 4 milhões de pessoas. Praticamente todos são equipados com ar condicionado e muitos com WiFi. A oferta de assentos é maior devido ao segundo andar e nos micro-ônibus, inclusive, só podem viajar passageiros sentados. Essa melhor qualidade atrai mais usuários ao sistema.

Essa questão tem prejudicado a forma de se pensar o transporte público na cidade. Ainda mais hoje em dia, quando pensamos na extensa disponibilidade de dados. Com o “Big Data" dos transportes - GPS dos ônibus, dos celulares, dos automóveis e das informações de bilhetagem dos usuários – é possível criar um sistema mais dinâmico que atenda a essas demandas de forma mais otimizada. Estamos presenciando muita inovação nesse momento, e iniciativas como aplicativos de táxis têm feito muito sucesso. Cabe ao sistema de ônibus também ser mais inovador.

G: O que precisa ser feito para isso acontecer em uma metrópole como São Paulo?

R: É preciso estudar uma melhor inserção do ônibus com relação ao sistema metroviário. Por exemplo, em vários bairros da zona leste, todas as linhas de ônibus levam apenas à estação de metrô mais próxima, sem oferecer uma alternativa mais direta e confortável a destinos como regiões de emprego na zona sul. Além disso, é preciso oferecer serviços de transporte que sejam competitivos com relação ao automóvel. Linhas longas, que param necessariamente em todos os pontos em seu trajeto, podem levar o dobro ou mais do tempo de carro. São Paulo precisa de um sistema de linhas que ofereça alternativas mais atrativas aos usuários, e esses serviços expressos são bons exemplos.

G: Como funciona exatamente para diminuir os ônibus e alterar as rotas servindo à maioria da população? Isso é possível? Não tem buracos?

R: O que ocorre na verdade é que existe uma dinâmica de dois objetivos conflitantes. Se eu diminuir a quantidade de ônibus circulando, a população vai esperar mais nos pontos, andar mais e levar mais tempo em ônibus mais lotados. Se eu melhorar as rotas ao extremo, atendendo a todo mundo com uma linha direta, seria necessário uma quantidade inviável de veículos. Portanto, é encontrando o ponto em que ambos os objetivos e interessados (usuários e operadores) são equilibrados é a forma possível de atender a este objetivo.

Como é um problema complexo, podem existir "buracos", pois não será viável oferecer transporte direto e rápido em todos os pares de origem-destino. Porém, a ideia de ter um algoritmo que resolva de forma otimizada esse problema é justamente para minimizar quaisquer deficiências de atendimento na rede, atendendo da melhor forma tanto reduzindo os custos aos operadores e melhorando ao máximo o serviço à população.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/11/modelo-matematico-cria-rotas-inteligentes-para-o-transporte-publico-paulistano.html

Trigonometria tem a ver com escala musical?

 (Foto: Samuel Rodrigues/Editora Globo)

Não, nada a ver. Mas a escala musical tem tudo a ver com a matemática. O grego Pitágoras (lembra do teorema?) descobriu que uma corda usada para fazer sons, quando é encurtada ou alongada, produz tons diferentes, guardando sempre uma relação entre o quanto você a reduz ou aumenta e qual será o tom gerado. Uma corda que tocada dá um Dó, reduzida a 3/4 do tamanho, produzirá um Fá. Essa mesma corda, reduzida a 2/3, produzirá um Sol. As escalas musicais, sequências ordenadas de tons que mantêm sempre os mesmos intervalos, pautam-se por essas proporções, não importa se começando em Dó, Ré ou outro tom.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/blogs/sem-duvida/noticia/2014/09/trigonometria-tem-ver-com-escala-musical.html

4 mitos sobre a profissão de matemático

Matemáticos são disputados por bancos e consultorias financeiras (Foto: stuartpilbrow/flickr/creative commons)
Você já pensou ou ainda pensa em cursar matemática, mas tem medo de acabar sem muitas perspectivas no mercado de trabalho? Então certamente você está entre as muitas pessoas que sustentam uma visão errônea sobre a ciência, construída com a ajuda de mitos que se tornaram muito populares. Atualmente, a chance de um matemático ou estatístico ficar desempregado é quase zero e as áreas de atuação são altamente diversificadas. O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP de São Carlos desmistificou os quatro maiores mitos que rondam a profissão. Confira abaixo:
Nem todo matemático é professor Apesar de ser o caminho escolhido por grande parte dos estudantes que optam pelo curso, ele está longe de ser o único. Segundo Leandro Aurichi, coordenador do Bacharelado em Matemática do ICMC, os profissionais são muito disputados por bancos e agências de consultoria financeira – as universidades sequer dão conta de formar toda a demanda.
Os ramos de gestão, logística e marketing também podem procurar matemáticos, e até o setor de extração de petróleo precisa deles, pois para as reservas serem identificadas, são necessários modelos para interpretar os sinais enviados ao subsolo. O trabalho na indústria também é uma possibilidade. Mas se a pessoa tiver mesmo a vocação para a docência, sempre pode optar por dar aulas e se consolidar na pesquisa, seguindo na carreira acadêmica.
Matemático não morre de fome Este mito é uma consequência direta do anterior, e também da premissa de que todo professor é mal remunerado. Na carreira acadêmica o profissional certamente encontrará um bom salário, porém, assim como em outras áreas, quem paga mais é o mercado. Os alunos graduados no ICMC ingressam com salários iniciais que variam de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil, com perspectivas de crescimento nas empresas.
Nem tudo são números Obviamente o cálculo é uma parte fundamental da matemática, mas se engana quem pensa que a vida na profissão se resume a números exóticos e equações assustadoras: de acordo com Aurichi, entre os profissionais das ciências exatas, o matemático é o que menos sabe calcular. Ele destaca que a essência do conhecimento transmitido no curso universitário é substancialmente diferente da metodologia do ensino fundamental e médio – o foco migra das contas para o esforço de entendimento de como as coisas funcionam e de como se relacionam entre si. “É uma busca por uma compreensão mais qualitativa que quantitativa”, diz.
A matemática não é isolada Com a tendência crescente da interdisciplinaridade entre diferentes saberes, a matemática vai criando pontes com as mais diversas áreas de conhecimento. Extrapola-se até mesmo o universo das ciências exatas e da natureza, chegando ao domínio das ciências humanas. A sociologia, por exemplo, se vale muito do conhecimento estatístico, assim como institutos como o IBGE e órgãos de pesquisa eleitoral. “Toda a ciência que tem algo a ver com a natureza e com o mundo real precisa da estatística”, diz Aurichi. Se for da preferência do aluno, o ICMC e também outras universidades oferecem graduação diretamente em estatística.
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2014/09/4-mitos-sobre-profissao-de-matematico.html

Cérebros de matemáticos interpretam equações como obras de arte

Equações são bonitas para matemáticos (Foto: Anders Sandberg/Flickr/Creative Commons)
EQUAÇÕES SÃO BONITAS PARA MATEMÁTICOS (FOTO: ANDERS SANDBERG/FLICKR/CREATIVE COMMONS)
Se você não é fã de matemática, pode achar difícil de acreditar que alguém realmente admira aqueles números. Mas a ciência prova que sim. Varreduras realizadas no cérebro de matemáticos mostram que as suas mentes respondem a equações da mesma forma que as outras pessoas interpretam pinturas e música.
A descoberta é de pesquisadores da University College London. Segundo um artigo da Scientific American, eles pediram para 16 matemáticos avaliarem 60 equações de acordo com uma escala que de "feia" a "bonita". Duas semanas depois, os mesmos participantes olharam novamente para as equações. Desta vez, submetidos à ressonância magnética.
Nesta segunda fase, os cientistas perceberam que quanto mais bonita a equação, maior era a atividade de uma área do cérebro chamada de campo A1 do córtex orbitofrontal medial. Ela está associada a respostas emocionais relacionadas com a beleza visual e musical.
A descoberta ajuda os pesquisadores a entenderam o papel da cultura na apreciação estética
A novidade ajuda os pesquisadores a entenderam o papel da cultura e da aprendizagem na apreciação estética. E mais: pode aproximar os neurocientistas de uma resposta sobre a base neural da beleza, um conceito ainda difícil de definir.
No entanto, para os cientistas, a hipótese é que, enquanto as pessoas sem formação musical ainda podem apreciar obras de Beethoven e Michelangelo, somente aqueles que entendem o significado por trás de certas fórmulas iriam achá-las bonitas.
Para provar a ideia, eles mostraram as equações para um grupo de pessoas que não eram matemáticas. Não deu outra: a resposta emocional foi menor. No final das contas, a beleza pode estar realmente nos olhos de quem vê.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2014/03/cerebros-de-matematicos-interpretam-equacoes-como-obras-de-arte.html

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Estudante de Coruripe é hexacampeão da Olimpíada Brasileira de Matemática

Filho de pescadores do povoado do Poxim, o jovem Indiana Jhones da Silva é aluno da Escola Estadual Djalma Barros Siqueira

Indiana Jhones coleciona medalhas em competições de matemática (Foto: José Demétrio)
Ricardo Rodrigues e Ana Paula Lins


O nome de herói do cinema não deixa mentir: o jovem Indiana Jhones dos Santos não foge de desafios. No entanto, enquanto o icônico personagem de Harrison Ford vivia aventuras em busca de tesouros arqueológicos, o Indiana da vida real tem o foco voltado para um universo que muitos ainda consideram intransponível, o da Matemática. E o talento com os números fez com que o estudante conquistasse no último dia 28, a sua sexta medalha na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), a qual deverá ser entregue em cerimônia de premiação na metade de 2015.

O garoto ganhou sua primeira medalha da OBMEP em 2009, quando ainda era aluno da Escola General de Góes Monteiro, da rede municipal de Coruripe. Outro bronze viria em 2010 e, no ano seguinte, o jovem obteve sua mais alta premiação, a medalha de ouro, o que chamou a atenção da mídia nacional e lhe rendeu homenagens do Governo de Alagoas e da Prefeitura de Coruripe.

De 2012 para cá, já aluno da Escola Estadual Barros Siqueira, também em Coruripe, Indiana coleciona outras três medalhas de bronze na competição. Focado na Matemática, o estudante sabe que essa base é importante para chegar à universidade e atribui seu sucesso na olimpíada à dedicação e disciplina. “O segredo é estudar e sempre que posso estou resolvendo problemas de matemática”, afirma o estudante.

A diretora-geral da Escola Estadual Djalma Barros Siqueira, Maria da Conceição Miranda, diz que é um orgulho ter um aluno como Indiana Jhones. “Ele é referência para os colegas, principalmente porque chegou ao topo com muito sacrifício”, afirma a diretora.

O diretor-adjunto Jadilson dos Santos conta que incentiva Jhones a desenvolver suas aptidões de forma ampla. “Eu sempre digo para ele que não basta ser bom em Matemática, tem que dominar também as outras disciplinas”, destaca.

Superação e homenagens - Indiana é um exemplo de como o estudo pode mudar vidas. Filho de pescadores do povoado Poxim, o garoto, em 2004, precisou trabalhar para ajudar os pais e teve que interromper os estudos por quatro anos. “Pensei até em desistir”, revelou o jovem, que aconselhado pelos amigos e parentes, mudou de ideia e se matriculou de novo no 6º ano do Ensino Fundamental, em 2009.

Incentivado pelo seu então professor Djalma Félix, que descobriu em seu potencial para os números, Indiana iniciou sua história de amor com a Matemática, algo que lhe rendeu não só medalhas, mas também transformou sua vida.

Como todo medalhista da OBMEP, ele participou dos programas de iniciação científica da olimpíada que, em Alagoas, são coordenados pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Em 2012, o estudante também foi homenageado pelo Governo de Alagoas e pela Prefeitura de Coruripe, que, em reconhecimento à sua trajetória vitoriosa nos estudos, agraciaram-lhe com computadores e cursos profissionalizantes. Um ano depois, o Governo de Alagoas volta a homenageá-lo, desta vez o prêmio ‘Expressão Alagoana’, entregue aos talentos e destaques do estado naquele ano.

Atualmente, Jhones  divide o tempo entre as atividades como professor na rede municipal de Coruripe e os estudos do 2º ano do Ensino Médio na rede estadual . Em 2015, ele vai se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e disputar uma vaga no curso Tecnologia da Informação.

O exótico nome de batismo, segundo ele, foi dado pela mãe. “Ela gostou muitos do filme e decidiu me batizar com o nome do protagonista”, conta o estudante, que se diz orgulhoso do nome.“Nunca tive problemas com meu nome. Meus amigos me chamam de Jhones, apenas alguns preferem Indiana”, relata.


Fonte: http://agenciaalagoas.al.gov.br/noticias/2014/12/estudante-de-coruripe-e-hexacampeao-da-olimpiada-brasileira-de-matematica

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O matemático da diversão

Com 22 anos, Erik Demaine misturou cálculo a origamis e se tornou o mais jovem professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts

por Mauro Tracco

Quem assiste a uma aula do canadense Erik Demaine, professor mais jovem do prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Estados Unidos, nem imagina que o pesquisador de 22 anos não freqüentou a escola durante boa parte da infância. Isso mesmo: aos 7 anos, Erik abandonou as salas de aula para cair na estrada com seu pai, um artesão que viajava pelos Estados Unidos vendendo seus produtos. Com ajuda de manuais de “escola em casa” (prática comum nos Estados Unidos), ele aprendeu todas as matérias do ensino fundamental. A experiência deu tão certo que, aos 12 anos, ele voltou a sua cidade natal, Halifax, no estado de Nova Escócia, e convenceu a diretoria da Dalhousie University a aceitá-lo como aluno – apesar da idade e da falta de registros escolares.
Com o passar do tempo, Erik terminou se especializando em origami computacional, uma área pouco conhecida cujo principal desafio é resolver complexos problemas da geometria espacial. Aparentemente simples, o resultado de suas pesquisas com a dobragem de papel pode ser aplicado da robótica à bioinformática, onde as fórmulas matemáticas são usadas, por exemplo, para entender como as proteínas se dobram.
É verdade que foi o jogo Tetris que despertou seu interesse pela matemática?
Não foi exatamente assim. Eu costumava jogar muito videogame quando era criança. Um dia perguntei ao meu pai como eram feitos esses jogos e ele respondeu que era por meio de programação de computadores. Ele conseguiu algumas apostilas de programação para me ensinar e logo eu mesmo comecei a ler sozinho livros sobre o assunto. Depois de mais ou menos um ano ele disse que para ser bom em computação é preciso ser bom em matemática. Comecei com um texto de álgebra do colegial e depois não parei mais. Mas, com certeza, Tetris estava entre meus jogos prediletos.
Pode-se dizer que você é um especialista em dobrar coisas. Como foi atraído para esse assunto?
No começo do meu doutorado, fiquei interessado pelos aspectos computacionais da geometria em geral. Pouco depois, fiquei conhecendo o trabalho de Robert Lang, um pioneiro do origami computacional, e comecei a trabalhar em problemas ainda não solucionados na área. Rapidamente me tornei viciado no assunto.
O que é o origami computacional?
É uma interseção entre ciências da computação e matemática do origami, onde o objetivo é desenvolver algoritmos (conjunto de operações) que resolvam problemas relacionados à dobragem de papéis. Tem muita gente de olho nessa área e ela a cada dia chega a resultados mais interessantes. Um dos primeiros, feito por Robert Lang, é um algoritmo para desenvolver um tipo comum de “origami base”, crucial para a formulação de dobraduras. As idéias por trás dele são responsáveis pelo surgimento de modelos complexos de origamis nunca antes imaginados. Uma das primeiras questões que resolvi é conhecida como “Problema do Dobre e Corte”. Basicamente, o que fiz foi encontrar um algoritmo para provar que qualquer forma poligonal, seja ela uma simples estrela ou um complexo dragão, pode ser feita ao dobrar um pedaço quadrado de papel e depois fazer apenas um único corte retilíneo. Basta saber dobrar o papel do jeito certo. O resultado desse problema já está sendo aplicado no design de airbags desenvolvidos na Alemanha.
Como essa área é vista pelos outros matemáticos?
No geral, acredito que os matemáticos concordam que o origami é uma fonte de muitos problemas geométricos interessantes. Um aspecto particular do estudomatemático da dobragem de papéis é que os problemas são tangíveis. Podem ser mais facilmente compreendidos por pessoas que não entendem muito dematemática.
Em que você está trabalhando agora?
Eu costumo trabalhar em muitas coisas ao mesmo tempo. Na área de dobragem, estou trabalhando junto com Joseph O’Rourke (matemático da Smith College, Estados Unidos) como co-autor de um livro sobre o assunto.
Você “fugiu” das salas de aula e agora é professor. Existe uma parte dentro de você que acredita que seus alunos aprenderiam mais se estivessem fora da universidade?
Minha educação universitária foi normal. Apenas durante o ginásio e o colegial eu não freqüentei salas de aula convencionais. Acredito que muitas pessoas poderiam se beneficiar do sistema de escola em casa. No entanto, isso não seria apropriado no ensino universitário.
Por ter apenas 22 anos, seus colegas professores ou seus alunos o tratam de maneira diferente?
Não. Essa questão da idade nunca foi muito importante na minha vida. Eu não gosto de enfatizar o fato de eu ser novo como uma forma de valorizar meus feitos. Eu tento deixar de lado esse aspecto porque um dia todo mundo fica velho.
Ter viajado tanto durante a infância o ajudou na carreira de cientista?
Sim, essa experiência removeu todas barreiras e facilita a comunicação com outras culturas. De tanto estar em contato com diferentes tipos de pessoas, acabei desenvolvendo uma habilidade comunicativa que é muito útil na minha vida acadêmica. Não me acanho em abordar as pessoas para testar idéias novas. Quando pego um grande problema pela frente, a primeira coisa que faço é encontrar alguém para debater.
Com sua infância singular, você não passou por experiências comuns dessa fase da vida. Alguma vez você sentiu falta do convívio com crianças da mesma idade?
Eu tive bastante convivência tanto com pessoas da minha idade quanto com gente mais velha. Acho que essa minha experiência é melhor do que ficar restrito a um mesmo grupo.
Quando tiver um filho, você mesmo vai educá-lo? Ou vai optar por uma escola convencional?
Depende da criança, mas eu daria uma chance à escola em casa.
Você é praticante de malabarismo. Existe alguma relação entre ele e a ciência? Todos seus hobbies são relacionados à matemática?
O malabarismo virou uma moda entre matemáticos. Existe um estudo matemático que já ajudou a criar uma variedade de novos truques e movimentos, apesar de poucas pessoas saberem disso. Para mim, ele está mais para um lazer divertido do que para ciência. Sempre gostei também de quebra-cabeças, que têm uma relação muito estreita com a matemática. Eles deixam bastante claro o que você deve fazer e a solução é quase sempre simples, mas encontrá-la pode ser difícil. Provar teoremas matemáticos é similar em muitos aspectos: o problema e a solução podem ser fáceis de entender, mas achar e provar um resultado é uma tarefa extremamente desafiadora. Além disso, a solução também envolve diversas peças. Enfim, meus hobbies costumam nascer da matemática, mas depois adquirem vida própria.
Erik Demaine
• Tem 22 anos e mora em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unid os
• Nunca assiste televisão
• Ama jazz e é fã de Ella Fitzgerald
• Quando arranja algum tempo livre, anda de bicicleta

Frase

Os quebra-cabeças mostram que as soluções corretas são invariavelmente simples, embora às vezes seja difícil descobri-las


Fonte: Revista Superinteressante

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A pintura brasileira nos anos 50: A conquista moderna

Luiz Camillo Osório
Nelson Rodrigues, em uma das suas tiradas memoráveis, afirmou que depois da vitória de nossa seleção de futebol na Copa do Mundo de 1958 o Brasil deixara de ser um vira-lata entre as nações e o brasileiro um vira-lata entre os povos. A percepção de que vivíamos um momento singular de afirmação nacional não se reduzia à vitória na Suécia. Aquela década redefiniu a cena cultural brasileira. Assumiramos uma outra postura criativa, mais arrojadae original. São desse período os Movimentos concreto e neoconcreto, a bossa nova, o cinema novo, culminando com o projeto da nova capital em Brasília, de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. O Brasil tornava-se definitivamente moderno. E o modernismo, por sua vez, ganhava uma entonação brasileira.
Este processo de modernização cultural demandou erefletiu um aprimoramento de nossas instituições. Nada floresce sem um terreno minimamente preparado para o cultivo. Entre 1948 e 1951 foram criados os Museus de Arte Moderna de São Paulo e do Rio de Janeiro, além da Bienal de São Paulo. Exposições altamente significativas de Alexander Calder, Max Bill e de artistas abstratos europeus puderam ser vistas naquela virada de década e marcaram o imaginário visual e plástico de todauma nova geração. Muito do melhor que foi produzido no campo das artes visuais neste período escapava à denominação restrita dos gêneros tradicionais da pintura, da escultura ou da gravura.Os artistas pensavam a forma visual em toda a sua potência disseminadora de novas formas de ver e, concomitantemente, de viver em sociedade. A pintura deixava de ser um gênero para se afirmar como um pensamento visual.
Antes de entrarmos na discussão do Movimento Concreto é forçoso destacar um pintor cuja obra ganha nesta década uma força nova, sem abrir mão de sua serenidade cromática: Alfredo Volpi. Mesmo sendo um artista ligado ao Grupo Santa Helena, que se formou na década de 30, foi na década de 50 que sua obra ganhou envergadura própria com a liberação das “bandeirinhas” de sua referência figurativa. Sem ser propriamente um artista construtivo, há um diálogo lateral com esta vertente, sem perda da poesia lírica de sua pincelada. Podemos dizer, sem medo do paradoxo, que se trata de um construtivo-ingênuo, cuja familiaridade com a têmpera mantinha viva uma artesania pictórica tradicional. Volpi é um capítulo à parte na história da pintura moderna no Brasil.
Em 1952, formou-se em São Paulo o Grupo Ruptura1, realizando a primeira exposição de Arte Concreta no Museu de Arte Moderna e publicando um Manifesto – Ruptura – distribuído já naabertura. Estavam ali apresentados um plano de ação e uma fundamentação poética para a arte defendida pelo grupo. Não se tratava apenas da defesa de um novo estilo de pintura; propunha-se um novo estatuto para o fazer pictórico. Não cabia mais à pintura representar o mundo natural em duas dimensões, nem, tampouco, fazer a mera defesa da abstração como dissolução da referência imagética. Recusava-se também o “não-figurativismo hedonista, produto do gosto gratuito, que busca a mera excitação do prazer e do desprazer”2.
É digno de nota o cuidado gráfico na edição do Manifesto, mostrando uma articulação, própria aos artistas concretos, do plano do quadro com a página do livro, o design, a arquitetura e o urbanismo. Da célula pictórica do quadro ao espaço da cidade, experimentava-se uma renovaçãoda visualidade, de cunho racionalista, que se expandiria para a transformação utópica da sociedade.
O rigor geométrico e a normatização dos procedimentos pictóricos retiravam da pintura qualquer devaneio subjetivista, todo vínculo com as pulsões criativas do gênio romântico. A tela era tomada como produção visual e não mais como metáfora figurativa ou fantasia simbólica. Cores primárias, formas geométricas, composição matemática. Como salientou Ferreira Gullar, citandoo holandês Van Doesburg, “pintura concreta e não abstrata porque já passamos o período das pesquisas e experiências especulativas. Em busca da pureza eram os artistas obrigados a abstrair as formas naturais que escondem elementos plásticos...Pintura concreta e não abstrata porque nada mais concreto, nada mais real que uma linha, uma cor, uma superfície.”3
Três artistas são de grande relevância dentro deste grupo paulista. Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros e Luis Sacilotto. Todos eles aliavam ao rigor matemático de suas telas alta dosagem experimental. Cordeiro teve sólida formação teórica na Itália, uma criatividade inquieta e era feroz polemista. A pintura era um laboratório de possibilidades formais a serem disseminadas no mundo através da colaboração com as artes aplicadas. Como observou Lorenzo Mammi em artigo recente4, a própria montagem daquela primeira exposição do Grupo Ruptura no MAM-SP, privilegiava o descolamento das formas para fora da superfície planar. Segundo o crítico paulista, a apresentação dos quadros, todos eles nivelados pela parte de baixo da tela, apontava já para um caráter fortemente plástico, “mais ainda: se ofereciam como objetos de manipulação, quase pediam para serem agarrados...”. A montagem já poderia ser vista comouma instalação que reverberava o rigor visual da composição para o espaço arquitetônico. Do mesmomodo, a forma se atualizava no objeto utilitário que se disseminava no mundo. Este desdobramento utilitário, sem perda do rigor formal, era a alternativa diante dos riscos idealizantes, platônicos, de uma forma pura, racional, virada de costas para a realidade. O antinaturalismo, por si só, corria o risco de sublimação hedonista, retirando a arte do território conflituoso da política e da resistência à apropriação institucional. O Movimento Concreto, no seu ascetismo rigoroso, vinculava-se à produção de objetos para fugir do perigo maior que seria reduzir-se à mera decoração de interiores. A figura romântica do artista inspirado e boêmio é substituída pelo projetista, designer, inventor de formas e de possibilidades utilitárias. O artista concreto não quer apenas embelezar os objetos existentes, não se trata de uma estetização do mundo da vida. Ao inventar formas, ele quer reinventar os objetos, seus usos e funções.
Independentemente do sucesso desta pretensão concretista de democratizar e disseminar sua racionalidade poética no mundo, último suspiro do logos iluminista, deu-se naquele momento, que culminou com a exposição de Arte Concreta de 1956, juntando paulistas e cariocas, um novo parâmetro experimental para a produção de arte no Brasil. A arte brasileira definitivamente constituía para si uma tradição moderna, buscando cada vez mais a singularidade da sua produção poética. Esta diferença de uma criação singular dentro de uma linguagem universal está na base da ruptura neoconcreta5. Como observou Ronaldo Brito, “é uma singularidade Neoconcreta a de, como movimento construtivo, privilegiar o momento de concepção do trabalho em detrimento de sua inserção social”6.
Não é de causar espanto que um dos textos seminais do Neoconcretismo, além do próprio Manifesto, tenha sido a Teoria do não-objeto de Ferreira Gullar. Ao contrário da vinculação da forma na produção utilitária no objeto, o movimento carioca apostava na dimensão participativa e relacional do processo criativo. Aparentemente apolítica, esta quebra revelaria, a despeito das intenções dos artistas, uma outra concepção de política para a arte. Menos ideológica e mais experimental, a arte faz política inventando novas formas de sentir e ver, portanto, de ser nomundo. Não necessariamente atuais, estas formas possíveis são reais, pois se tornam manifestas e disponíveis pela experimentação artística. O Neoconcretismo inaugurava aquilo queMario Pedrosa denominaria de exercício experimental de liberdade, combinando ao processo criativo o despojamento lúdico, o rigor construtivo e a apropriação do outro, da participação.
Antes de entrarmos propriamente nos artistas neoconcretos, é importante destacarmos três artistas cariocas que foram de grande importância e que marcaram a primeira etapa concretista no Rio de Janeiro, formadora do Grupo Frente, equivalente local do Ruptura paulista. São eles Ivan Serpa, Abraham Palatnik e Almir Mavigner. Serpa foi o grande articulador, junto ao crítico Mario Pedrosa, do movimento concretista carioca. Sua atuação como professor no Museu de Arte Moderna ainda não foi devidamente analisada no que diz respeito à motivação de toda uma geração de jovens artistas brasileiros. Mais do que isso, sua obra plural e multifacetada é única em nosso meio. Sua variedade jamais significou dispersão, mas sim inquietação criativa. Depois da fase concretista, experimentou com texturas e colagens, no final da década de 50 e foi, aos poucos, soltando um gesto entre a figuração e a informalidade, no começo da década seguinte. Cabe ressaltar que apesar de sua vinculação eamizade com o grupo carioca, não assinou o Manifesto neoconcreto.
Do ponto de vista da experimentação artística, o lance mais ousado e original foi sem dúvida o Aparelho Cinecromático de Abraham Palatnik. Apresentado pela primeira vez na 1ª Bienal de São Paulo, este engenho de lâmpadas coloridas, que produzia movimentos hipnóticos, causou impacto e apontou para a comunhão futura entre arte e tecnologia. Era uma máquina de pintura, um aparelho lúdico de luz e cor. De lá para cá, ele seguiu um caminho original, realizando nãoapenas seus aparelhos cinecromáticos e objetos cinéticos, mas também um conjunto significativo de pinturas, relevos e objetos lúdicos – além, é claro, de seus projetos industriais. Através da apropriação de outros materiais como a madeira, o papel e a resina poliéster, Palatnik soube combinar o apuro formal à ilusão óptica do movimento.
Este mesmo apuro formal marca a produção de Almir Mavigner, o mais concreto dos artistas cariocas. Além disso, foi o criador do ateliê experimental do Museu do Inconsciente no final dos anos 40, junto à Dra Nise da Silveira. Sua obra foi profundamente influenciada por Max Bill, o que acabou levando-o para a Escola de Ulm no começo da década de 50. Sua pintura antecipa algumas manobras da op art, mas são seus cartazes e projetos gráficos o que há de mais fundamental em sua trajetória criativa.
Junto a Serpa, Aluisio Carvão foi figura fundamental para a pintura brasileira e para a relevância do MAM-RJ como escola e espaço de agregação, experimentação e dinamização da arte carioca.Participando ativamente de todos os movimentos e impasses daqueles anos, ele foi sempre fiel à liberdade criativa e ao lirismo de suas cores. Sua paleta alegre e expansiva foi se adensando no final da década de 50, na fase das magníficas cromáticas, até levar a cor a uma materialidadepura no cerne-cor e no cubo-cor. Estes blocos de cor são fundamentais na experimentação neoconcreta, dialogando de perto com os bólides de Oiticica e o balé neoconcreto de Lygia Pape.
Outros dois artistas do movimento neoconcreto que tiveram papel decisivo na redefinição da visualidade cotidiana foram Amílcar de Castro e Lygia Pape. O primeiro, fazendo a reforma gráfica do Jornal do Brasil no final da década de 50, que mudou a aparência dos jornais brasileiros. O espaço, a respiração e a simetria da estrutura abstrata de Mondrian ganharam nas páginas do JB uma projeção singular. No caso de Lygia Pape, a pedagogia formal concretista iria influir no design da marca e das embalagens dos biscoitos Piraquê, de sua autoria, que há 50 anos seguem o mesmo padrão visual, mostrando sua relevância e eficácia. Desta artista cabe também destacar o Livro da criação e o Livro do tempo, que junto aos seus balés marcam a potência expansiva e híbrida do seu pensamento visual.
Todavia, é o desenvolvimento da obra de Oiticica o que há de mais marcante para futurosdesdobramentos da pintura moderna e contemporânea. Dos trabalhos do Grupo Frente aos metaesquemas e, depois, para as invenções, bilaterais e relevos espaciais, até o parangolé e a tropicália, as mudanças do ponto de vista da libertação espacial da forma e da cor são evidentes.São raros os artistas que em tão pouco tempo – 1954 a 1967 - dão um salto tão grande e refletem tão profundamente sobre o processo vivido.
Neste percurso de amadurecimento da poética neoconcreta em Oiticica, interessa aqui o caminho de espacialização da cor. Em última instância, ele significou uma ruptura com o caráter objectual da arte e uma transformação do tipo de experiência atrelada à pintura. O que acontece de determinante aí é que o redimensionamento da experiência pictórica, através da inserção da temporalidade, leva à sua desvirtualização. Aos poucos vai se efetivando a integração obra-espaço-espectador, que leva, enfim, à superação da relação tradicional sujeito-objeto.
As diretrizes básicas de suas experiências futuras estão traçadas. Os penetráveis apontam para novas regiões do fazer artístico. Partindo de uma pesquisa intrinsecamente construtivista, voltadapara a autonomia da forma e para sua integração em uma nova totalidade, portanto, tomando a forma como elemento propagador de uma utopia social, ele chega a este espaço plástico revitalizado e orgânico, cuja premissa essencial é a criação de novas condições de experiência do real, de habitação do mundo. Atingimos assim o âmago de sua poética, de sua originalidade, no contexto da arte contemporânea.
De certo modo, podemos ver nestas experimentações de Oiticica uma redefinição do estatuto da pintura, que deixa de ser pensada a partir do seu suporte planar e materiais, como os pigmentos e as tintas, deslocando-se para uma experiência da cor e da luz que se desloca do objeto para o espaço. As instalações como um desdobramento da pintura. Isto nos obriga a rever a suposta ruptura entre a arte contemporânea e as premissas modernas. Não discutimos a obra de LygiaClark na medida em que a questão da pintura nos servia como fio narrativo. Seus desdobramentos poéticos, apesar de partirem do plano, mostram-se mais interessados na dimensão escultórica de ação no espaço e na conseqüente dinamização do corpo criativo do espectador. Indiscutivelmente, assim como Weissmann e Amílcar de Castro, sua obra foi de fundamental importância para a qualificação da potência germinadora da arte dos anos 50.
Antes de passarmos para a nova década é importante tratarmos do abstracionismo informal, que entre o final da década de 50 e a primeira metade dos anos 60 teve papel relevante no cenário nacional. De início as influências se equivalem e o impacto das Bienais é decisivo, até quedivergências quanto ao gesto criativo e ao papel simbólico da mancha pictórica impõem a cisão entre os informais e os geométricos.
Da primeira à quarta Bienais o predomínio concretista foi indiscutível. Todavia, entre 1957 e 1958, alguns fatores determinaram o surgimento de uma abstração mais lírica e informal no cenário artístico brasileiro. Primeiro, esta era uma tendência internacional que, mais cedo ou mais, tarde influenciaria a cena local. Internamente, podemos apontar a própria divisão dentro do Grupo concretista que levou à redação do Manifesto neoconcreto pelos artistas cariocas. A principal reivindicação destes artistas era a quebra de uma ortodoxia matemática e racionalista do concretismo e a afirmação de uma poética mais lírica e sensual. Já na abertura do Manifesto Neoconcreto lemos que “a expressão neoconcreto indica uma tomada de posição em face da arte não-figurativa geométrica e particularmente em face da arte concreta levada a uma perigosa exacerbação racionalista”7.
Além disso, no próprio contexto paulista cabe lembrar a saída de Isai Leirner da direção administrativa do MAM-SP por ocasião da IV Bienal. Isto aconteceu como uma forma de protestocontra a hegemonia concretista naquela exposição, em detrimento da arte figurativa e de outras tendências da arte brasileira.
Olhando retrospectivamente, soa exagerada esta polêmica sobre a predominância concretista da IV Bienal; afinal, foi nesta edição que tivemos a grande exposição de Pollock e que foram premiados Fayga Ostrower em gravura, Wega Nery em desenho e Franz Krajcberg em pintura. Estas premiações, no mínimo, relativizariam a hegemonia da abstração geométrica. Mais do que isso, cabe se perguntar também sobre o impacto da exposição de Pollock, presente naquela Bienal, na cena brasileira, fato tão pouco mencionadopara o crescimento posterior da abstração mais gestual.
A saída de Leirner levou-o a fundar a Galeria de Arte das Folhas e a criação do Prêmio Leirner de arte contemporânea, que no ano de 1958 foi concedido a Yolanda Mohalyi. Esta é, sem dúvida, um nome a ser destacado no grupo informal. Naquele momento sua pintura acabara de se voltar para a abstração, depois de toda uma formação figurativa, expressionista, próxima de Lasar Segall.Como observou Lourival Gomes Machado, “o expressionismo, legitimamente seu porque assimilado e sentido, possibilitou à artista uma produção que, sem dúvida, nem o núcleo paulista nem o panorama brasileiro poderiam ignorar”8. Esta formação expressionista não desaparece quando de sua opção pela abstração, dando-lhe uma densidade matérica incomum, singularizando-a entre os artistas informais, normalmente afeitos a um lirismo mais ventilado e atmosférico próximo da tradição abstrata oriental. A opção cromática, por sua vez, mantém, via Lasar Segall, contato com a paleta de tons terra e cores sombreadas, apesar da contaminação recorrente de amarelos e laranjas. Sua pintura, pouco discutida e analisada pela crítica de arte brasileira, reclama maior atenção.
Tomie Othake mantém ao longo de sua obra uma tensão entre geometria e lirismo. Suas pinceladas jogam com a transparência das cores e a profundidade da matéria pictórica.Camadas e mais camadas de tinta que vão se sobrepondo, misturando-se e velando-se na superfície datela. Discutindo a pintura informal e comparando Tomie e Fukushima com a de Arcangelo Ianelli, Mario Pedrosa ressalta um compromisso distinto perante a natureza. Nos dois artistas orientais, observa o crítico, “respira-se a atmosfera delicada, espiritualizada, de uma naturezairresistivelmente integrada a presença do homem que já em parte a faz, sendo entretanto, dela partícula una e inseparável; em Ianelli respira-se o deslumbramento e, portanto, a separação de quem ainda está fora da paisagem, mora ainda (ou para sempre) fora da natureza”9. Esta unidade com a natureza, que é da ordem do sentimento, pode ser percebida através do espaço sempre expansivo e inclusivo que se forma dentro de algumas pinturas de Tomie. É como se ela abrisse sempre uma profundidade junto à espessura de suas tintas e às transparências de suas cores.
Toda esta geração de artistas japoneses, Tikashi Fukushima, Manabu Mabe, Wakabayashi, Toyota, para citar só os mais conhecidos, além de Danilo Di Prete e Sheila Brannigan, exploram um gestualismo livre e um espaço fluido que deixam o olho penetrar na superfície, na contramão,digamos assim, da planaridade cubista e da abstração construtiva subseqüente. É como se a abstração informal, com esta ascendência oriental, retomasse o elo com a pintura de Kandinsky, desviando-se do viés hegemônico do cubismo e de Mondrian. Há aí um olhar contemplativo para uma natureza espiritualizada que mantém uma linha do horizonte imaginária – que é totalmenteabolida pela verticalidade cubista. Por esta linha abre-se uma profundidade no espaço interior da pintura, nascida de uma relação contemplativa e quase religiosa com a natureza, ainda possível para olhares formados no oriente ou “orientalizados”.
A impressão que se tem diante destes artistas informais é que o mundo visível, aquele que se desvela na superfície pictórica, é apenas fluxo, ritmo e mistério, não se definindo em nenhuma forma estruturada. Uma exceção aí, gloriosa exceção, é Iberê Camargo. Seu gesto encrespado, suas grossas camadas de tinta, sua paleta sombria e sua densidade expressiva estão sempre estruturados por uma forma tensa. No meio do caos nasce uma ordem.
Antonio Bandeira e Artur Luis Piza são outros dois artistas importantes que desenvolveram suas obras à margem da tradição concretista, tendo optado por viver em Paris no momento de ascensão da onda tachista. Fortemente influenciado pela pintura de Wols, Bandeira é dos primeiros artistas brasileiros a assumirem plenamente a abstração. Como observado por Roberto Pontual, há nas pinturas de Bandeira “um chamamento para o equilíbrio e a disciplina,atenuando a aparência gestual e a espontaneidade de distribuição dos elementos em jogo, comumente pontos, traços e escorrimentos da tinta em tramas leves ou intrincadas”.10 Já Piza se caracteriza por uma tensão tênue e singularíssima entre a geometria e o informalismo, com suas pequenas construções precariamente organizadas na superfície. Trata-se de um artista intimista que quer a proximidade, quase “tátil”, do olho que está diante de suas obras. Este mesmo intimismo atravessa as poéticas de Milton Dacosta e Maria Leontina outros dois nomes a serem destacados no período, com uma abstração lírica que, no caso do primeiro,aproximava-se da estrutura geométrica e, na segunda, deixava-se levar pelo gesto expansivo e informal.
Podemos afirmar, sem maiores vacilações, que a abstração informal representou um momento específico da arte brasileira, de redefinição de hegemonias poéticas dentro de um quadro políticoe cultural em rápida transformação. Entre as experimentações neoconcretas e o lirismo informal, chegamos à década de 60, período marcado por tensões políticas e reviravolta da perspectiva desenvolvimentista e solar da década anterior. Luiz Camillo Osório, janeiro de 2007.
NOTAS:
1 Faziam parte desta primeira exposição e assinaram o Manifesto Ruptura os seguintes artistas: Waldemar Cordeiro, Luis Sacilotto, Geraldo de Barros, Lothar Charoux, Kazmer Fejer, Leopold Haar e Anatol Wladislaw.
2 Manifesto Ruptura in Projeto Construtivo Brasileiro na Arte, Funarte, RJ, 1977, pág. 69.
3 Gullar, Ferreira in “Arte Concreta” apud Ronaldo Brito, Neoconcretismo: Vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro, Funarte, RJ, 1985, pág. 34.
4 Mammi, Lorenzo – “Linhas de nossa arte”, Caderno de Resenhas, Folha de São Paulo, 12/12/1998, pág 3.
5 O Manifesto Neoconcreto foi lançado nas páginas do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, que era um veículo importante para a disseminação das idéias do Grupo e foi de enorme influência na cena cultural carioca e brasileira. Escrito principalmente pelo poeta Ferreira Gullar, foi assinado por Aluisio Carvão, Amílcar de Castro, Frans Weissmann, Lygia Pape, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Rubem Ludolf. O Grupo contou ainda com a participação de dois artistas fundamentais de São Paulo, Willis de Castro e Hérc
ules Barsotti.
6 Brito, Ronaldo – “As ideologias construtivas no ambiente cultural brasileiro”, in O Projeto Construtivo Brasileiro na Arte
7 Gullar, Ferreira, Manifesto Neoconcreto, Jornal do Brasil, 22/3/1959, Rio de Janeiro.
8 Machado, Lourival Gomes, Catálogo da Exposição Ambiente, 1957 in Documento póstumo, produzido pelo MAC-USP em Agosto de 1978.
9 Pedrosa, Mario, “A pintura de Ianelli” in Acadêmicos e Modernos, Textos escolhidos 3, Edusp, São Paulo, 1998, pág 336.
10 Pontual, R. – Arte Brasileira Contemporânea, RJ, Edições Jornal do Brasil, 1976, pag 149.


Fonte: http://www.raulmendesilva.pro.br/pintura/pag010.shtml

ARTISTAS PLÁSTICOS E GALERIAS

ARTISTAS PLÁSTICOS
E GALERIAS

Uma das coisas mais difíceis no design de interiores sem dúvida é a escolha de uma obra de arte para incrementar o local. A maior dificuldade deve-se ao fato de uma boa obra de arte ter o poder de valorizar completamente o espaço ou pelo contrário, uma má escolha pode acabar com toda a beleza do ambiente, pois ela acaba se tornando o centro de atenções.
Vou falar um pouco sobre os artistas que conheço e que na minha opinião ajudam a compor com uma boa decoração:
Beatriz MilhazesA artista carioca, bastante conhecida dentro e fora do Brasil trabalha com pinturas e gravuras, sempre muito coloridas com flores,  arabescos e formas geométricas . Compõe bem com ambientes modernos trazendo um toque de cor e alegria. Em São Paulo são bastante comercializadas pela galeria Fortes Vilaça.


Sergio FerroSergio Ferro Pereira, nascido em Curitiba em 1938, e formou-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade de São Paulo, mas nunca deixou de lado seu amor pelas artes plásticas. Com importantes obras e murais como o do Memorial da América Latina e o Memorial de Curitiba. Com cores mais neutras realiza pinturas figurativas inspiradas nas obras e desenhos de Michelangelo. Comercializados principalmente pela Galeria Espaço Arte.


PalatinikNascido em Natal, Rio Grande do Norte, de família Judia e Russa, o artista possui obras em sua maioria coloridas e muito elegantes. Sua arte é conhecida como arte cinética, percebe-se muito marcante em seus trabalhos  um certo  “movimento” e dinamismo , tanto nos quadros, esculturas gravuras e pinturas em vidro. Possui peças em importantes museus como o MAM-SP, o MAC- Niterói, MAN-RJ e MAC-SP.

Carlos AraújoFormado em engenharia pela Universidade Mackenzie de São Paulo . Com diversas obras espalhadas pelo mundo, inclusive no museu do Vaticano tem por maior característica os efeitos de luz criando uma ilusão de figurativo quase como representações espirituais.


Arcângelo Ianelli (1922-2009)Pintor, escultor, ilustrador e desenhista. Quase sempre com figuras geométricas  e cores escuras perce-se em suas obras uma “densidade”visual.  Em geral suas obras são bastante neutras.


Arthur LescherArtista plástico nato de São Paulo, foi até professor de esculturas da Faculdade Santa Marcelina. Em sua produção escultórica, utiliza materiais diversos, como metal, pedra ou madeira, também são famosas suas instalações. Em São Paulo podem ser encontradas algumas obras  na galeria Nara Roesler.


Cristina SáSuas obras são bastante delicadas e femininas. Percebe-se uma nítida influência oriental em seus trabalhos num misto de pinturas e colagens com predominâncias de tons terras com alguns tons contrastantes e toques de dourado. A artista é formada em Arquitetura de Interiores e História da Arte, na Escola Panamericana de Artes. Seus trabalhos podem ser encontrados na Galeria Eduardo Fernandes.


Hercules Barsotti (1914-2010)Hércules Rubens Barsotti (São Paulo SP 1914 – idem 2010). Pintor, desenhista, programador visual, gravador. Explora em suas obras as figuras geométricas e a cor numa incessantes pesquisas ópticas em busca da tridimensionalidade.


Odetto Guersoni (1924-2007)Nascido em Jabuticabal, interior de São Paulo  foi gravador, pintor, desenhista, ilustrador e escultor. Estudou pintura e artes decorativas no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Usando símbolos, ideogramas, cores pulsantes ou o simples e clássico branco e preto (entre algumas escalas de cinza).


Carlos Cruez-DiezCom obras tridimensionais e cinéticas trabalhando sempre com linhas paralelas e cores marcantes, nossa percepção da obra muda de acordo com o angulo que  olhamos. Difícil entender suas obras por fotos, mas podem ser vistas na galeria Raquel Arnault e Galeria Espaço Arte. Atualmente o artista Venezuelano expõe suas obras em várias partes do mundo.


Galeria Fortes Vilaça
http://www.fortesvilaca.com.br/
Galeria Raquel Arnaud
http://raquelarnaud.com/
Galeria Eduardo Fernandes
http://www.galeriaeduardohfernandes.com/
Galeria Espaço Arte
http://www.espacoarte.com.br/
Galeria Nara Roesler
http://www.nararoesler.com.br/


Fonte: http://www.dolceabitare.com/?p=586