quarta-feira, 21 de maio de 2014

Brasil fica na lanterna em teste sobre capacidade de resolver problemas

Pisa avaliou desempenho de 85 mil alunos de 15 anos em 44 países.
Brasil ficou em 38º; primeiros foram Cingapura, Coreia do Sul e Japão.


Saiu nesta terça-feira (1º), em Londres, o resultado de um teste que mediu a capacidade de estudantes de todo o mundo para resolver problemas de matemática aplicados à vida real.
O Pisa - Programa Internacional de Avaliação de Alunos - é feito pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico a cada três anos e, desta vez, avaliou o desempenho de 85 mil alunos de 15 anos em mais de 40 países.
Essa é primeira vez um teste mede se os jovens são competentes e criativos para encarar desafios, principalmente do mercado de trabalho.
Entre os 44 países avaliados, o Brasil em 38º. Os melhores colocados são todos da Ásia: Cingapura, Coreia do Sul e Japão. Os lanternas foram Uruguai, Bulgária e Colômbia.
A boa notícia é que, na resolução de problemas que tinham alguma informação escondida, os estudantes brasileiros tiveram um desempenho parecido com o dos coreanos. Foi um avanço.
O Brasil avançou, mas ainda está lá na lanterna. Ainda tem que melhorar muito. A pesquisa mostrou que a maioria dos nossos alunos teve um desempenho baixíssimo.
O desafio é enorme, mas não dá para desanimar. A repórter Beatriz Thielmann mostra que dá virar este jogo e formar até campeões da matemática.
Em uma escola, que fica na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, a dificuldade com a matemática era comum até pouco tempo. “Muitos números, eu ficava confundido e não sabia muito o que fazer naquela época”, diz o aluno Lucas Gonçalves.
“Coloca ali no quadro parece um bicho de sete cabeças, mas o professor vai te deixando mais leve, vê que não é isso tudo, tem que ensinar, explicar com jeito, a gente aprende”, diz Priscila Maia.
Quem ajudou foi o professor. Hoje a escola está entre as que tem melhor aproveitamento na disciplina. “Ele está sempre em cima, interage bastante, quando está com bastante dificuldade, ele chama um aluno que tem mais, sabe mais coisa que a gente, manda sentar em dupla, para ajudar mais”, conta Lucas.
O professor Paulo percebeu que os alunos tinham dificuldade em português, não entendiam os enunciados. Trouxe para o dia a dia deles os números, as contas e principalmente a capacidade de raciocinar e não decorar. “Incentivo. Incentivo é a melhor opção para eles”, diz.
A educadora Andrea Ramal acha que o Brasil pode avançar ainda mais no desempenho geral. “No Brasil, na educação, não faltam recursos, mais investimentos, falta também uma melhor gestão. Faltam políticas públicas de médio e longo prazo ondes as inovações, as novas tendências sejam realmente implementadas. Onde também o professor seja mais valorizado, tenha formação melhor para poder aprimorar o seu trabalho”, ressalta.
A avaliação do Pisa indicou o Brasil foi um dos países onde a situação econômica do aluno mais prejudicou o desempenho na escola. E mostrou que só 2% dos alunos conseguiram resolver problemas de matemática mais sofisticados, enquanto, entre os estrangeiros, o número chegou a 1%.
Tem um momento que a matemática revela cálculos complicados e tabelas complexas, e é nessa hora que ela se transforma numa matéria rejeitada por muitos alunos. Mas, para outros, é neste momento que a matemática começa a ficar divertida.
Alessandro e Victor são campeões em Olimpíadas de Matemática no Brasil e no exterior. “Foi isso que aconteceu comigo, a partir do momento que eu observei as questões de uma forma mais criativa eu passei a me interessar muito mais pela matemática”, conta Victor Bitarães.
O diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, onde eles fazem mestrado, diz que o importante é que o professor identifique as diferenças de aprendizado entre os alunos. “Se em algum momento não consegue aprender adequadamente algum aspecto da matemática, isso vai prejudicar o futuro todo do seu aprendizado”, afirma César Camacho.
E foi este o acompanhamento que Alessandro e Victor tiveram. Alessandro estuda no Colégio Militar, Victor terminou o ensino médio em uma escola pública de Minas. Sempre foram estimulados pelas famílias e pelos professores.
“Ele vai se interessar quando existe o raciocínio dele, quando ele sente a felicidade de conseguir fazer um problema, de conseguir algo por conta própria”, completa Alessandro.
O Ministério da Educação admitiu que precisa investir mais, e investir na qualidade. O governo quer aumentar a participação de escolas em um programa, criado em 2009, que promove melhoria do currículo escolar e ampliação da carga horária. A meta este ano é levar o programa para dez mil escolas, 50% da rede pública do ensino Médio.
“Há um programa que é o Ensino Médio Inovador, onde esta questão de ser capaz de responder os problemas concretos que a vida coloca está no centro do projeto pedagógico. É um projeto que vai iluminar, dar um exemplo de como os currículos e os projetos das escolas podem caminhar”, afirma
Para aumentar a capacidade dos alunos de resolver problemas, o governo disse que há uma necessidade de trazer para o ensino as questões concretas da vida.

Fonte: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/04/brasil-fica-na-lanterna-em-teste-sobre-capacidade-de-resolver-problemas.html

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