segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Mais de 90% concluem ensino médio sem aprendizado adequado de matemática

o Brasil, mais de 90% dos estudantes terminaram o ensino médio em 2013 sem o aprendizado adequado em matemática, segundo o movimento Todos pela Educação. Tomando por base avaliações do MEC (Ministério da Educação), o movimento concluiu que apenas 9,3% desses estudantes aprenderam o conteúdo considerado adequado para o período. O índice é menor que o anterior, registrado em 2011, quando 10,3% aprenderam o considerado adequado pelo movimento.
Além de matemática, o aprendizado em português também apresentou queda, na avaliação feita no terceiro ano do ensino médio, de 2011 para 2013. O percentual de alunos com aprendizado adequado passou de 29,2% para 27,2%. "É o terceiro ano consecutivo em que cai o aprendizado em matemática e agora caiu também em português. É um grito de socorro. O ensino médio está piorando no Brasil", avalia a diretora executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.
O Brasil não tem, oficialmente, metas claras do que deve ser aprendido em cada nível de ensino. O movimento Todos pela Educação estabelece metas para que em 2022, ano do bicentenário da independência do país, seja garantido a todas as crianças e jovens o direito à educação de qualidade. O movimento estabelece também metas intermediárias de aprendizado.
Priscila ressalta que o aprendizado considerado adequado não corresponde a um nível avançado de domínio da disciplina, mas apenas do básico. "Em matemática, são 90% não aprendendo esse básico. Pode parecer exagero, mas de certa forma não é. Estamos negando um futuro digno para eles, que não conseguem ter acesso ao básico da matemática, não conseguem avaliar um contrato de aluguel ou projetar o que pagam de juros em uma prestação. É o básico para viver a vida".
Os dados mostram que no ensino fundamental o 5º ano foi a única etapa que apresentou melhora. Passou de 40% de alunos com aprendizado adequado em português, em 2011, para 45,1% na última avaliação, e de 36,3% em matemática, para 39,5%. No 9º ano, o percentual de alunos com aprendizado adequado em 2013 foi 28,7% em português, acima do verificado em 2011 (27%). Em matemática, o indicador apresentou queda, de 16,9% para 16,4%.
Pelos critérios do movimento, nacionalmente o país não cumpriu nenhuma das metas intermediárias, nem mesmo no 5º ano. No 9º ano e no ensino médio, o Brasil não cumpriu nenhuma das metas nem mesmo em nível estadual.

Prova Brasil e Saeb 

Os números são baseados no resultado da Prova Brasil e do Saeb (Sistema de Avaliação Básica), aplicados em 2013. Na opinião de Priscilla, os dados mostram que nos anos iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, o modelo de ensino adotado pelo país mostra resultados e merece mais investimento, mesmo que a meta não tenha sido cumprida. Isso não ocorre com os modelos adotados nos anos finais, do 6º ao 9º ano, e no ensino médio. "É como nadar e morrer na praia. De que adianta melhorar o fundamental 1 e chegar ao fundamental 2 e médio e o aluno não aprender?", pergunta.
Uma das diferenças, segundo ela, é que até o 5º ano, o ensino é mais focado e não há tantas disciplinas quanto até o 9º ano e o ensino médio. Ela defende uma reforma de métodos de ensino, que inclua as novas tecnologias, a internet, e também uma revisão do currículo, do que é ensinado em sala de aula. "O currículo é inchado, disperso, tem a ganância de fazer com que o aluno aprenda tudo, enquanto, na verdade, ele não aprende nada".
A Prova Brasil é um dos componentes do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), considerado um importante indicador de qualidade do ensino. O índice vai até dez e é calculado de dois em dois anos. O Ideb de 2013 foi divulgado pelo governo no início do mês. A meta estimada de 4,9 para anos iniciais foi a única cumprida pelo país, que obteve índice de 5,2. O Saeb é feito por amostragem nas redes de ensino e tem foco na gestão dos sistemas educacionais.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/12/23/mais-de-90-concluem-ensino-medio-sem-aprendizado-adequado-de-matematica.htm

Modelo matemático cria “rotas inteligentes” para o transporte público paulistano

Trânsito em São Paulo ganha estudo com rotas mais inteligentes (Foto: Reprodução)

Nova pesquisa da USP acredita que para tornar o transporte coletivo mais atrativo que o carro, não basta renovar frota, alterar o sistema viário e diminuir o preço da tarifa. É preciso também reorganizar as rotas das linhas de ônibus para encurtar o tempo das viagens e diminuir o número de baldeações - uma equação cuja solução exige modelos matemáticos complexos.
O engenheiro Renato Oliveira Arbex conseguiu desenvolver um modelo matemático com o melhor custo-benefício já alcançado. Aplicado em uma rede de transporte que interliga 15 cidades Suíças, o modelo possibilitou definir uma rota na qual 99,29% dos usuários poderiam se locomover com apenas uma viagem. O tempo médio das viagens obtido também foi menor: 10,48 minutos ante uma taxa alcançada de 10,7 a 13,1 minutos por outros modelos.

Embora tenha praticamente eliminado o número de baldeações na rota pesquisada, Arbex também conseguiu reduzir em 15% o número de ônibus necessários. Ou seja, o modelo possibilitou tanto otimizar a locomoção como diminuir os custos das transportadoras de ônibus. Em última instância, teria potencial para melhorar o trânsito com a retirada de parte dos ônibus das ruas.

O orientador da pesquisa, o professor Claudio Barbieri, do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR) da Poli, ressalta a importância deste resultado ao avaliar o problema do transporte urbano. "O usuário quer o melhor sistema, com mais linhas e maior frequência, mas isso costuma ser proibitivo em termos de custos por conta do maior número de veículos alocados para a frota", lembra. "A pesquisa consegue resolver dois problemas conflitantes: de um lado, atender às necessidades dos usuários do transporte público; de outro, ajudar as transportadoras na redução de seus custos."
Medidas como a faixa de ônibus têm tornado o transporte algo mais agradável (Foto: Reprodução)

Com base em uma série de informações, escolheu as linhas de ônibus de interligação dos municípios, priorizando aquelas com tempo de viagem mais próximas do carro. Os dados foram carregados para um software que analisou os dados usando um algoritmo genético - modelo matemático utilizado para lidar com situações complexas, nas quais muitas variáveis precisam ser combinadas.

Seu desafio foi aprimorar a metodologia com esse algoritmo para otimizar o cálculo e a comparação entre as diversas soluções, de forma a superar os resultados já descritos por outros pesquisadores em trabalhos científicos. Arbex obteve 12 diferentes opções de redes. A mais eficiente utilizaria 76 ônibus em 14 linhas para atender a população.
Conversamos com o engenheiro
Para saber mais sobre o tema, a GALILEU conversou com o engenheiro Renato Arbex. Ele refletiu sobre as medidas de transporte público adotadas pela prefeitura de São Paulo, conversou sobre a relação entre metrô e ônibus e ainda deu mais detalhes sobre a aplicação de seu modelo matemático. Confira!

GALILEU: Como você vê as medidas tomadas pela gestão do Prefeito Fernando Haddad na área do transporte público?

Renato: Vejo com bons olhos, pois as medidas de incentivo ao transporte público e não motorizado adotadas pela Prefeitura estão auxiliando na melhoria da mobilidade urbana de forma geral. As faixas exclusivas, como mostram algumas pesquisas recentes, diminuíram o tempo de viagem de milhares de pessoas; as novas modalidades temporais do bilhete único (mensal e semanal) possibilitam um uso mais intensivo e flexível do sistema, sem maiores prejuízos financeiros; e as ciclofaixas viabilizam um transporte mais sustentável e seguro para trajetos mais curtos.

G: Essas soluções estão entrando em fase de testes? Já foi feito algum acordo com a Prefeitura?

R: A escala do problema em São Paulo torna a aplicação imediata do modelo matemático mais complexa. Continuo o desenvolvimento do algoritmo para incluir questões relevantes de grandes metrópoles como a existência de uma rede de metrô e terminais já existentes. Quanto a um acordo com a Prefeitura, estou aplicando informalmente o modelo para analisar a rede das linhas de ônibus que operam na madrugada, de modo a otimizar os trajetos, reduzindo as transferências necessárias e os tempos de espera e viagem dos usuários. É uma aplicação teste para validar o desempenho do modelo ao comparar com a solução adotada atualmente, porém sem vistas de efetivas, por enquanto.

G: Você acredita que existe uma supervalorização das medidas metroviárias em relação às de ônibus? Isso tem prejudicado a forma de se pensar o transporte público da cidade?

R: De certa forma, acredito que existe sim. Às vezes, o metrô é colocado como a solução dos problemas de mobilidade. Entretanto, é uma estrutura de transporte muito onerosa e de construção bastante demorada, que leva até dez anos para conclusão de uma linha. E essa linha em si cria poucas ligações diretas, pois são necessárias muitas transferências cansativas, tanto entre linhas como entre os ônibus e o metrô. Além disso, o nível de conforto do serviço nos horários de pico é muito reduzido, chegando a mais de dez pessoas por metro quadrado (linha 3 vermelha, por exemplo). Como o conforto é um dos fatores para escolha entre o modo de transporte pelo usuário, muitas pessoas preferem usar o carro em seus deslocamentos diários, embora morem próximas às estações.

Já o ônibus é um serviço de fácil implementação e bem versátil, podendo ser adaptado em função da demanda real dos usuários, possibilitando reduzir as penosas transferências. Além disso, o próprio conforto do serviço pode ser aumentado através da melhoria do próprio veículo. Em Hong Kong, por exemplo, onde 90% das viagens são feitas de transporte público, uma frota de mais de cinco mil veículos double-decker carregam 4 milhões de pessoas. Praticamente todos são equipados com ar condicionado e muitos com WiFi. A oferta de assentos é maior devido ao segundo andar e nos micro-ônibus, inclusive, só podem viajar passageiros sentados. Essa melhor qualidade atrai mais usuários ao sistema.

Essa questão tem prejudicado a forma de se pensar o transporte público na cidade. Ainda mais hoje em dia, quando pensamos na extensa disponibilidade de dados. Com o “Big Data" dos transportes - GPS dos ônibus, dos celulares, dos automóveis e das informações de bilhetagem dos usuários – é possível criar um sistema mais dinâmico que atenda a essas demandas de forma mais otimizada. Estamos presenciando muita inovação nesse momento, e iniciativas como aplicativos de táxis têm feito muito sucesso. Cabe ao sistema de ônibus também ser mais inovador.

G: O que precisa ser feito para isso acontecer em uma metrópole como São Paulo?

R: É preciso estudar uma melhor inserção do ônibus com relação ao sistema metroviário. Por exemplo, em vários bairros da zona leste, todas as linhas de ônibus levam apenas à estação de metrô mais próxima, sem oferecer uma alternativa mais direta e confortável a destinos como regiões de emprego na zona sul. Além disso, é preciso oferecer serviços de transporte que sejam competitivos com relação ao automóvel. Linhas longas, que param necessariamente em todos os pontos em seu trajeto, podem levar o dobro ou mais do tempo de carro. São Paulo precisa de um sistema de linhas que ofereça alternativas mais atrativas aos usuários, e esses serviços expressos são bons exemplos.

G: Como funciona exatamente para diminuir os ônibus e alterar as rotas servindo à maioria da população? Isso é possível? Não tem buracos?

R: O que ocorre na verdade é que existe uma dinâmica de dois objetivos conflitantes. Se eu diminuir a quantidade de ônibus circulando, a população vai esperar mais nos pontos, andar mais e levar mais tempo em ônibus mais lotados. Se eu melhorar as rotas ao extremo, atendendo a todo mundo com uma linha direta, seria necessário uma quantidade inviável de veículos. Portanto, é encontrando o ponto em que ambos os objetivos e interessados (usuários e operadores) são equilibrados é a forma possível de atender a este objetivo.

Como é um problema complexo, podem existir "buracos", pois não será viável oferecer transporte direto e rápido em todos os pares de origem-destino. Porém, a ideia de ter um algoritmo que resolva de forma otimizada esse problema é justamente para minimizar quaisquer deficiências de atendimento na rede, atendendo da melhor forma tanto reduzindo os custos aos operadores e melhorando ao máximo o serviço à população.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/11/modelo-matematico-cria-rotas-inteligentes-para-o-transporte-publico-paulistano.html

Trigonometria tem a ver com escala musical?

 (Foto: Samuel Rodrigues/Editora Globo)

Não, nada a ver. Mas a escala musical tem tudo a ver com a matemática. O grego Pitágoras (lembra do teorema?) descobriu que uma corda usada para fazer sons, quando é encurtada ou alongada, produz tons diferentes, guardando sempre uma relação entre o quanto você a reduz ou aumenta e qual será o tom gerado. Uma corda que tocada dá um Dó, reduzida a 3/4 do tamanho, produzirá um Fá. Essa mesma corda, reduzida a 2/3, produzirá um Sol. As escalas musicais, sequências ordenadas de tons que mantêm sempre os mesmos intervalos, pautam-se por essas proporções, não importa se começando em Dó, Ré ou outro tom.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/blogs/sem-duvida/noticia/2014/09/trigonometria-tem-ver-com-escala-musical.html

4 mitos sobre a profissão de matemático

Matemáticos são disputados por bancos e consultorias financeiras (Foto: stuartpilbrow/flickr/creative commons)
Você já pensou ou ainda pensa em cursar matemática, mas tem medo de acabar sem muitas perspectivas no mercado de trabalho? Então certamente você está entre as muitas pessoas que sustentam uma visão errônea sobre a ciência, construída com a ajuda de mitos que se tornaram muito populares. Atualmente, a chance de um matemático ou estatístico ficar desempregado é quase zero e as áreas de atuação são altamente diversificadas. O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP de São Carlos desmistificou os quatro maiores mitos que rondam a profissão. Confira abaixo:
Nem todo matemático é professor Apesar de ser o caminho escolhido por grande parte dos estudantes que optam pelo curso, ele está longe de ser o único. Segundo Leandro Aurichi, coordenador do Bacharelado em Matemática do ICMC, os profissionais são muito disputados por bancos e agências de consultoria financeira – as universidades sequer dão conta de formar toda a demanda.
Os ramos de gestão, logística e marketing também podem procurar matemáticos, e até o setor de extração de petróleo precisa deles, pois para as reservas serem identificadas, são necessários modelos para interpretar os sinais enviados ao subsolo. O trabalho na indústria também é uma possibilidade. Mas se a pessoa tiver mesmo a vocação para a docência, sempre pode optar por dar aulas e se consolidar na pesquisa, seguindo na carreira acadêmica.
Matemático não morre de fome Este mito é uma consequência direta do anterior, e também da premissa de que todo professor é mal remunerado. Na carreira acadêmica o profissional certamente encontrará um bom salário, porém, assim como em outras áreas, quem paga mais é o mercado. Os alunos graduados no ICMC ingressam com salários iniciais que variam de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil, com perspectivas de crescimento nas empresas.
Nem tudo são números Obviamente o cálculo é uma parte fundamental da matemática, mas se engana quem pensa que a vida na profissão se resume a números exóticos e equações assustadoras: de acordo com Aurichi, entre os profissionais das ciências exatas, o matemático é o que menos sabe calcular. Ele destaca que a essência do conhecimento transmitido no curso universitário é substancialmente diferente da metodologia do ensino fundamental e médio – o foco migra das contas para o esforço de entendimento de como as coisas funcionam e de como se relacionam entre si. “É uma busca por uma compreensão mais qualitativa que quantitativa”, diz.
A matemática não é isolada Com a tendência crescente da interdisciplinaridade entre diferentes saberes, a matemática vai criando pontes com as mais diversas áreas de conhecimento. Extrapola-se até mesmo o universo das ciências exatas e da natureza, chegando ao domínio das ciências humanas. A sociologia, por exemplo, se vale muito do conhecimento estatístico, assim como institutos como o IBGE e órgãos de pesquisa eleitoral. “Toda a ciência que tem algo a ver com a natureza e com o mundo real precisa da estatística”, diz Aurichi. Se for da preferência do aluno, o ICMC e também outras universidades oferecem graduação diretamente em estatística.
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2014/09/4-mitos-sobre-profissao-de-matematico.html

Cérebros de matemáticos interpretam equações como obras de arte

Equações são bonitas para matemáticos (Foto: Anders Sandberg/Flickr/Creative Commons)
EQUAÇÕES SÃO BONITAS PARA MATEMÁTICOS (FOTO: ANDERS SANDBERG/FLICKR/CREATIVE COMMONS)
Se você não é fã de matemática, pode achar difícil de acreditar que alguém realmente admira aqueles números. Mas a ciência prova que sim. Varreduras realizadas no cérebro de matemáticos mostram que as suas mentes respondem a equações da mesma forma que as outras pessoas interpretam pinturas e música.
A descoberta é de pesquisadores da University College London. Segundo um artigo da Scientific American, eles pediram para 16 matemáticos avaliarem 60 equações de acordo com uma escala que de "feia" a "bonita". Duas semanas depois, os mesmos participantes olharam novamente para as equações. Desta vez, submetidos à ressonância magnética.
Nesta segunda fase, os cientistas perceberam que quanto mais bonita a equação, maior era a atividade de uma área do cérebro chamada de campo A1 do córtex orbitofrontal medial. Ela está associada a respostas emocionais relacionadas com a beleza visual e musical.
A descoberta ajuda os pesquisadores a entenderam o papel da cultura na apreciação estética
A novidade ajuda os pesquisadores a entenderam o papel da cultura e da aprendizagem na apreciação estética. E mais: pode aproximar os neurocientistas de uma resposta sobre a base neural da beleza, um conceito ainda difícil de definir.
No entanto, para os cientistas, a hipótese é que, enquanto as pessoas sem formação musical ainda podem apreciar obras de Beethoven e Michelangelo, somente aqueles que entendem o significado por trás de certas fórmulas iriam achá-las bonitas.
Para provar a ideia, eles mostraram as equações para um grupo de pessoas que não eram matemáticas. Não deu outra: a resposta emocional foi menor. No final das contas, a beleza pode estar realmente nos olhos de quem vê.

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2014/03/cerebros-de-matematicos-interpretam-equacoes-como-obras-de-arte.html

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Estudante de Coruripe é hexacampeão da Olimpíada Brasileira de Matemática

Filho de pescadores do povoado do Poxim, o jovem Indiana Jhones da Silva é aluno da Escola Estadual Djalma Barros Siqueira

Indiana Jhones coleciona medalhas em competições de matemática (Foto: José Demétrio)
Ricardo Rodrigues e Ana Paula Lins


O nome de herói do cinema não deixa mentir: o jovem Indiana Jhones dos Santos não foge de desafios. No entanto, enquanto o icônico personagem de Harrison Ford vivia aventuras em busca de tesouros arqueológicos, o Indiana da vida real tem o foco voltado para um universo que muitos ainda consideram intransponível, o da Matemática. E o talento com os números fez com que o estudante conquistasse no último dia 28, a sua sexta medalha na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), a qual deverá ser entregue em cerimônia de premiação na metade de 2015.

O garoto ganhou sua primeira medalha da OBMEP em 2009, quando ainda era aluno da Escola General de Góes Monteiro, da rede municipal de Coruripe. Outro bronze viria em 2010 e, no ano seguinte, o jovem obteve sua mais alta premiação, a medalha de ouro, o que chamou a atenção da mídia nacional e lhe rendeu homenagens do Governo de Alagoas e da Prefeitura de Coruripe.

De 2012 para cá, já aluno da Escola Estadual Barros Siqueira, também em Coruripe, Indiana coleciona outras três medalhas de bronze na competição. Focado na Matemática, o estudante sabe que essa base é importante para chegar à universidade e atribui seu sucesso na olimpíada à dedicação e disciplina. “O segredo é estudar e sempre que posso estou resolvendo problemas de matemática”, afirma o estudante.

A diretora-geral da Escola Estadual Djalma Barros Siqueira, Maria da Conceição Miranda, diz que é um orgulho ter um aluno como Indiana Jhones. “Ele é referência para os colegas, principalmente porque chegou ao topo com muito sacrifício”, afirma a diretora.

O diretor-adjunto Jadilson dos Santos conta que incentiva Jhones a desenvolver suas aptidões de forma ampla. “Eu sempre digo para ele que não basta ser bom em Matemática, tem que dominar também as outras disciplinas”, destaca.

Superação e homenagens - Indiana é um exemplo de como o estudo pode mudar vidas. Filho de pescadores do povoado Poxim, o garoto, em 2004, precisou trabalhar para ajudar os pais e teve que interromper os estudos por quatro anos. “Pensei até em desistir”, revelou o jovem, que aconselhado pelos amigos e parentes, mudou de ideia e se matriculou de novo no 6º ano do Ensino Fundamental, em 2009.

Incentivado pelo seu então professor Djalma Félix, que descobriu em seu potencial para os números, Indiana iniciou sua história de amor com a Matemática, algo que lhe rendeu não só medalhas, mas também transformou sua vida.

Como todo medalhista da OBMEP, ele participou dos programas de iniciação científica da olimpíada que, em Alagoas, são coordenados pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Em 2012, o estudante também foi homenageado pelo Governo de Alagoas e pela Prefeitura de Coruripe, que, em reconhecimento à sua trajetória vitoriosa nos estudos, agraciaram-lhe com computadores e cursos profissionalizantes. Um ano depois, o Governo de Alagoas volta a homenageá-lo, desta vez o prêmio ‘Expressão Alagoana’, entregue aos talentos e destaques do estado naquele ano.

Atualmente, Jhones  divide o tempo entre as atividades como professor na rede municipal de Coruripe e os estudos do 2º ano do Ensino Médio na rede estadual . Em 2015, ele vai se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e disputar uma vaga no curso Tecnologia da Informação.

O exótico nome de batismo, segundo ele, foi dado pela mãe. “Ela gostou muitos do filme e decidiu me batizar com o nome do protagonista”, conta o estudante, que se diz orgulhoso do nome.“Nunca tive problemas com meu nome. Meus amigos me chamam de Jhones, apenas alguns preferem Indiana”, relata.


Fonte: http://agenciaalagoas.al.gov.br/noticias/2014/12/estudante-de-coruripe-e-hexacampeao-da-olimpiada-brasileira-de-matematica

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O matemático da diversão

Com 22 anos, Erik Demaine misturou cálculo a origamis e se tornou o mais jovem professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts

por Mauro Tracco

Quem assiste a uma aula do canadense Erik Demaine, professor mais jovem do prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Estados Unidos, nem imagina que o pesquisador de 22 anos não freqüentou a escola durante boa parte da infância. Isso mesmo: aos 7 anos, Erik abandonou as salas de aula para cair na estrada com seu pai, um artesão que viajava pelos Estados Unidos vendendo seus produtos. Com ajuda de manuais de “escola em casa” (prática comum nos Estados Unidos), ele aprendeu todas as matérias do ensino fundamental. A experiência deu tão certo que, aos 12 anos, ele voltou a sua cidade natal, Halifax, no estado de Nova Escócia, e convenceu a diretoria da Dalhousie University a aceitá-lo como aluno – apesar da idade e da falta de registros escolares.
Com o passar do tempo, Erik terminou se especializando em origami computacional, uma área pouco conhecida cujo principal desafio é resolver complexos problemas da geometria espacial. Aparentemente simples, o resultado de suas pesquisas com a dobragem de papel pode ser aplicado da robótica à bioinformática, onde as fórmulas matemáticas são usadas, por exemplo, para entender como as proteínas se dobram.
É verdade que foi o jogo Tetris que despertou seu interesse pela matemática?
Não foi exatamente assim. Eu costumava jogar muito videogame quando era criança. Um dia perguntei ao meu pai como eram feitos esses jogos e ele respondeu que era por meio de programação de computadores. Ele conseguiu algumas apostilas de programação para me ensinar e logo eu mesmo comecei a ler sozinho livros sobre o assunto. Depois de mais ou menos um ano ele disse que para ser bom em computação é preciso ser bom em matemática. Comecei com um texto de álgebra do colegial e depois não parei mais. Mas, com certeza, Tetris estava entre meus jogos prediletos.
Pode-se dizer que você é um especialista em dobrar coisas. Como foi atraído para esse assunto?
No começo do meu doutorado, fiquei interessado pelos aspectos computacionais da geometria em geral. Pouco depois, fiquei conhecendo o trabalho de Robert Lang, um pioneiro do origami computacional, e comecei a trabalhar em problemas ainda não solucionados na área. Rapidamente me tornei viciado no assunto.
O que é o origami computacional?
É uma interseção entre ciências da computação e matemática do origami, onde o objetivo é desenvolver algoritmos (conjunto de operações) que resolvam problemas relacionados à dobragem de papéis. Tem muita gente de olho nessa área e ela a cada dia chega a resultados mais interessantes. Um dos primeiros, feito por Robert Lang, é um algoritmo para desenvolver um tipo comum de “origami base”, crucial para a formulação de dobraduras. As idéias por trás dele são responsáveis pelo surgimento de modelos complexos de origamis nunca antes imaginados. Uma das primeiras questões que resolvi é conhecida como “Problema do Dobre e Corte”. Basicamente, o que fiz foi encontrar um algoritmo para provar que qualquer forma poligonal, seja ela uma simples estrela ou um complexo dragão, pode ser feita ao dobrar um pedaço quadrado de papel e depois fazer apenas um único corte retilíneo. Basta saber dobrar o papel do jeito certo. O resultado desse problema já está sendo aplicado no design de airbags desenvolvidos na Alemanha.
Como essa área é vista pelos outros matemáticos?
No geral, acredito que os matemáticos concordam que o origami é uma fonte de muitos problemas geométricos interessantes. Um aspecto particular do estudomatemático da dobragem de papéis é que os problemas são tangíveis. Podem ser mais facilmente compreendidos por pessoas que não entendem muito dematemática.
Em que você está trabalhando agora?
Eu costumo trabalhar em muitas coisas ao mesmo tempo. Na área de dobragem, estou trabalhando junto com Joseph O’Rourke (matemático da Smith College, Estados Unidos) como co-autor de um livro sobre o assunto.
Você “fugiu” das salas de aula e agora é professor. Existe uma parte dentro de você que acredita que seus alunos aprenderiam mais se estivessem fora da universidade?
Minha educação universitária foi normal. Apenas durante o ginásio e o colegial eu não freqüentei salas de aula convencionais. Acredito que muitas pessoas poderiam se beneficiar do sistema de escola em casa. No entanto, isso não seria apropriado no ensino universitário.
Por ter apenas 22 anos, seus colegas professores ou seus alunos o tratam de maneira diferente?
Não. Essa questão da idade nunca foi muito importante na minha vida. Eu não gosto de enfatizar o fato de eu ser novo como uma forma de valorizar meus feitos. Eu tento deixar de lado esse aspecto porque um dia todo mundo fica velho.
Ter viajado tanto durante a infância o ajudou na carreira de cientista?
Sim, essa experiência removeu todas barreiras e facilita a comunicação com outras culturas. De tanto estar em contato com diferentes tipos de pessoas, acabei desenvolvendo uma habilidade comunicativa que é muito útil na minha vida acadêmica. Não me acanho em abordar as pessoas para testar idéias novas. Quando pego um grande problema pela frente, a primeira coisa que faço é encontrar alguém para debater.
Com sua infância singular, você não passou por experiências comuns dessa fase da vida. Alguma vez você sentiu falta do convívio com crianças da mesma idade?
Eu tive bastante convivência tanto com pessoas da minha idade quanto com gente mais velha. Acho que essa minha experiência é melhor do que ficar restrito a um mesmo grupo.
Quando tiver um filho, você mesmo vai educá-lo? Ou vai optar por uma escola convencional?
Depende da criança, mas eu daria uma chance à escola em casa.
Você é praticante de malabarismo. Existe alguma relação entre ele e a ciência? Todos seus hobbies são relacionados à matemática?
O malabarismo virou uma moda entre matemáticos. Existe um estudo matemático que já ajudou a criar uma variedade de novos truques e movimentos, apesar de poucas pessoas saberem disso. Para mim, ele está mais para um lazer divertido do que para ciência. Sempre gostei também de quebra-cabeças, que têm uma relação muito estreita com a matemática. Eles deixam bastante claro o que você deve fazer e a solução é quase sempre simples, mas encontrá-la pode ser difícil. Provar teoremas matemáticos é similar em muitos aspectos: o problema e a solução podem ser fáceis de entender, mas achar e provar um resultado é uma tarefa extremamente desafiadora. Além disso, a solução também envolve diversas peças. Enfim, meus hobbies costumam nascer da matemática, mas depois adquirem vida própria.
Erik Demaine
• Tem 22 anos e mora em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unid os
• Nunca assiste televisão
• Ama jazz e é fã de Ella Fitzgerald
• Quando arranja algum tempo livre, anda de bicicleta

Frase

Os quebra-cabeças mostram que as soluções corretas são invariavelmente simples, embora às vezes seja difícil descobri-las


Fonte: Revista Superinteressante